O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura do milho passou por uma das mais importantes atualizações dos últimos anos para a safra 2026/2027. As mudanças, conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Embrapa, adotaram uma nova base climática, um modelo mais detalhado de classificação dos solos e ajustes metodológicos voltados para aumentar a precisão das recomendações de semeadura.
Nos últimos dias, o tema ganhou destaque após a revisão dos calendários de plantio para municípios da região Noroeste do Rio Grande do Sul. A equipe técnica da Embrapa apontou inconsistências nas janelas de semeadura divulgadas inicialmente, o que levou à reavaliação dos dados pela equipe responsável pelo Zarc do milho.
Revisão corrige superestimação do risco de geada
Durante a análise das manifestações do setor produtivo, a equipe técnica da Embrapa identificou um equívoco no processamento dos dados relacionados ao risco de geada durante o mês de agosto. A programação utilizada considerava os decêndios críticos no período da semeadura, quando a metodologia correta deveria avaliar os decêndios da fase de pós-emergência da cultura.
Esse erro levou à superestimação do risco climático em alguns municípios gaúchos, reduzindo indevidamente as janelas recomendadas para plantio. Após a correção dos dados, os resultados foram atualizados no Painel de Indicação de Riscos do Mapa, permitindo que os produtores tenham acesso a informações compatíveis com a metodologia oficial do zoneamento.
Segundo a Embrapa, a correção aproxima os resultados do zoneamento das recomendações observadas na safra anterior, embora diferenças permaneçam devido às mudanças estruturais implementadas na nova versão do sistema.
Nova base climática reflete os efeitos das mudanças no clima
Uma das principais mudanças do Zarc 2026 é a atualização da base de dados meteorológicos, passando a utilizar uma série histórica compreendida entre 1992 e 2022, substituindo bases anteriores e incorporando informações provenientes de um número maior de estações meteorológicas distribuídas pelo território nacional.
A atualização busca representar com maior fidelidade o cenário climático atual, marcado pelo aumento da frequência de eventos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor, chuvas intensas e períodos de excesso hídrico. Segundo o Mapa, a modernização da base climática permite avaliações mais consistentes dos riscos enfrentados pelos produtores em diferentes regiões.
Nova classificação de solos aumenta detalhamento das recomendações
Outra mudança significativa está relacionada à forma de classificação dos solos utilizados no zoneamento agrícola.
Até então, o Zarc trabalhava com três categorias básicas:
- Solo arenoso;
- Solo de textura média;
- Solo argiloso.
A partir da safra 2026/2027, passa a ser adotado um sistema baseado em seis classes de Água Disponível (AD), variando de AD1 a AD6. A metodologia considera a capacidade real de retenção hídrica do solo, calculada a partir das proporções de areia, silte e argila presentes em cada área produtiva.
Segundo os pesquisadores envolvidos nos estudos, essa abordagem representa melhor as condições reais de armazenamento de água no perfil do solo, permitindo recomendações mais ajustadas à realidade de cada propriedade.
Na prática, áreas que anteriormente eram agrupadas dentro de uma mesma classe poderão apresentar recomendações distintas conforme sua capacidade efetiva de retenção de água. Isso tende a aumentar a precisão das datas de semeadura e reduzir o risco associado ao déficit hídrico durante o ciclo da cultura.
Dessa forma, o alinhamento das operações agrícolas às datas indicadas pelo zoneamento continua sendo fundamental para garantir cobertura securitária e reduzir a exposição da lavoura aos riscos climáticos.